Implantação de uma Farmácia Viva Comunitária

certificada 2005

Instituição
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense
Endereço
Rua Dr. Siqueira, 273. - Dom Bosco - Campos dos Goytacazes/RJ
E-mail
vsantos@iff.edu.br
Telefone
(22) 2726-2815
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Vicente de Paulo Santos de Oliveira(22) 2733-3255vicentedepaulosantosdeoliveira@yahoo.com.br ou vsantos@iff.edu.br
Resumo da Tecnologia

Cursos e treinamentos à população participante, tornando-a apta a plantar, reconhecer e utilizar adequadamente plantas medicinais, visando seu bem-estar e apresentando uma alternativa viável e mais econômica para aquisição de medicamentos.*{ods3}*

Tema Principal

Saúde

Problema Solucionado

O Brasil tem a maior biodiversidade do planeta com cerca de 55 mil espécies de plantas superiores conhecidas. A maioria é usada como fonte de alimento, matéria-prima para construção, medicamentos, aromatizantes ou artesanato. O presente projeto teve por objetivo a implantação de uma “Farmácia Viva” a fim de atender a população carente situada próxima a Subestação de Furnas em Campos dos Goytacazes, que reside às margens do Rio Paraíba do Sul, sujeita a toda sorte de doenças de veiculação hídrica. O projeto consistiu na implantação de uma estrutura de produção de mudas numa área cultivada, já existente, com plantas medicinais a fim de servir de piloto para implantação de outras áreas na comunidade. Foram ministrados cursos e treinamentos à população alvo do projeto, tornando-a apta a reconhecer e utilizar adequadamente plantas medicinais, visando ao bem-estar daquela população, apresentando desta forma uma alternativa viável e mais econômica em termos de aquisição de medicamentos.

Objetivo Geral

Implantação de uma Farmácia Viva Comunitária, utilizada como tratamento alternativo na recuperação da saúde pela população de baixa renda, e conscientização para preservação do Meio Ambiente, possibilitando à população ter acesso aos benefícios da flora medicinal.

Objetivo Específico

- Estimular o cultivo de plantas medicinais encontradas na região, com a utilização correta das técnicas de manejo; através dos cursos ministrados foi possível à transferência de técnicas próprias e adequadas. - Resgatar e fazer o intercâmbio comunitário através de conhecimentos empíricos da população quanto à tradição do uso de ervas. - Ministrar cursos para a comunidade beneficiada sobre plantas medicinais, com orientação sobre cultivo, coleta, secagem, manipulação e formas de uso. - Capacitar pessoas na identificação, cultivo e tratamento alternativo através das plantas medicinais. - Além da comunidade alvo do projeto, capacitar também técnicos, estudantes e multiplicadores do conhecimento.

Solução Adotada

1. Reunião com a comunidade: Umas das primeiras ações do projeto foi a realização de uma reunião com a comunidade do Parque D´Aldeia, alvo do projeto. Esta reunião foi realizada na Escola Municipal Francisco Faria Barbosa, onde, além da divulgação e convite para participação dos cursos, foi distribuído um questionário socioambiental que posteriormente foi devolvido pela comunidade. 2. Elaboração da apostila do curso: Para possibilitar o desenvolvimento dos cursos voltados para a comunidade numa linguagem simples e acessível, buscando a transferência dos conhecimentos básicos no cultivo, plantio, manejo de plantas medicinais, foi elaborada uma apostila com 16 páginas, específica para o curso, pela Técnica Prelecionista Rose Mara Soares Corrêa de Oliveira. 3. Estabelecimento de Convênio e inauguração do Projeto: A participação do Centro Federal de Educação Tecnológica de Campos de Goytacazes (CEFETCAMPOS) no projeto foi formalizada através de convênio estabelecido com Furnas. Na ocasião estiveram presentes o Diretor Geral do CEFETCAMPOS, Prof. Luiz Augusto Caldas Viana e o Técnico de Furnas Marco Aurélio Silva de Andrade, que assinaram os documentos. O projeto foi inaugurado e iniciado em junho de 2004. 4. Montagem da horta medicinal: Simultaneamente foi estruturada a horta medicinal numa área já utilizada para este fim na Subestação de Furnas. Foram montados 10 canteiros com dimensões de 1,00 x 5,00 metros, adquiridas e plantadas as mudas. Foram observadas todas as técnicas agronômicas recomendadas tais como uso de substrato adequado, solo, cobertura morta, irrigação e outros. A horta foi implantada dentro da Subestação de Furnas, na Unidade de Campos dos Goytacazes. A área destinada à implantação da horta medicinal possui 625 metros quadrados e o solo da área está classificado como Podzólico Vermelho-Amarelo. Sua condição física bem como sua fertilidade foram alteradas por deposição de material de aterro, porém sem comprometer seu potencial para o uso proposto, mantendo-se com textura e estrutura favoráveis ao cultivo. 5. Montagem da Casa de Vegetação (telado): A montagem de uma pequena casa de vegetação (telado) foi realizada para possibilitar a produção de mudas de plantas medicinais. Além da construção do telado em madeira, também foram adquiridos materiais necessários no viveiro (sacos plásticos, substrato, sementes e outros). O objetivo da estrutura montada, além de dar suporte à produção de mudas, foi servir de modelo para outros projetos a ser implantados na região. 6. Minicursos: Foram ministrados 12 cursos de oito horas/aula para a comunidade beneficiária e estudantes sobre plantas medicinais.

Resultado Alcançado

A horta foi implantada com plantas medicinais já utilizadas pela comunidade, informação que foi obtida através da aplicação de um questionário no início do Projeto. Foram produzidas mais de 3 mil mudas, e distribuídas para a comunidade e para alunos do curso. – Através dos cursos ministrados foi possível a transferência de técnicas próprias e adequadas. – Ao longo dos cursos houve uma rica troca de conhecimentos entre os prelecionistas do projeto e membros da comunidade. – Foram ministrados 12 cursos, atendendo a um total de 205 multiplicadores. – Além da comunidade alvo do projeto, foram capacitadas também técnicos da Secretaria de Saúde do Município de Macaé, estudantes do Curso Superior de Tecnologia em Produção Agrícola do CEFETCAMPOS e estudantes do Curso Técnico de Agropecuária de São Fidélis (IASF). Foram também realizados cursos e palestras em diversos eventos no Campus Campos-Centro do IFF e na Unidade de Pesquisa e Extensão Agroambiental (UPEA) também pertencente ao IFF. A tecnologia em destaque foi usada junto a diversas comunidades, nas seguintes ações: atendimento a comunidades do distrito de Barcelos, em São João da Barra-RJ (diversos minicursos); Clube da Terceira Idade, em São João da Barra-RJ; Semana da Ciência e Tecnologia, em Cabo Frio-RJ; Programa Mosaico Terra (Programa financiado pela Petrobras com recursos na ordem de R$,700.000,00, onde havia uma coordenação de plantas medicinais na qual a tecnologia foi adotada para comunidades rurais de Barcelos – São João da Barra-RJ, Assentamento Oziel Alves em Campos dos Goytacazes-RJ, Assentamento Tipity em São Francisco do Itabapoana-RJ) e nas comunidades de Mato Escuro e Água Preta em São João da Barra-RJ; programa Escola de Fábrica realizado na UPEA-IFF, onde foram atendidos 60 alunos; curso de extensão de educação do campo para docentes e administrativos de escolas municipais e estaduais de São João da Barra-RJ e Campos dos Goytacazes-RJ, entre outras ações.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Campos dos Goytacazes / Rio de Janeirocomunidade Parque D’Aldeia01/2004
São João da Barra / Rio de Janeirodistrito de Barcelos01/2006
Cabo Frio / Rio de Janeiro01/2008
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
População em geral
Quantidade: 0
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
coordenação2
pesquisadores4
consultor em agronomia que atuará na implantação e condução da horta e na produção das mudas para a comunidade na casa de vegetação1
bolsistas de iniciação científica, estudantes de área agrícola, biologia e cursos afins para auxiliar na implantação e condução da horta e na produção das mudas no projeto para a comunidade. A participação dos bolsistas tem por objetivo a capacitação de mão de obra especializada em produção, condução e manejo de plantas medicinais.2
voluntários no projeto também é importante. Estes poderão ajudar ao longo do desenvolvimento do projeto em diversos momentos, não sendo necessariamente uma participação contínua.22
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

A área destinada à implantação da horta medicinal deve permitir canteiros com 1,00 x 5,00 metros. O número de canteiros dependerá do número de espécies utilizadas no projeto - 10 A montagem da minicasa de vegetação (telado) deve ser realizada seguindo recomendações técnicas relativas a espaço de produção, ventilação, insolação e acesso. Devem ser construídas bancadas para as bandejas de produção de mudas - 1 Os minicursos devem ser ministrados próximo à horta (50 metros) para possibilitar aulas práticas, e próximo à comunidade (menos de 1 km) para permitir o acesso aos cursos e à horta medicinal. No projeto, os cursos foram ministrados sempre em 2 tardes, em dias que possibilitassem a maior participação da comunidade - 12 Devem ser confeccionadas apostilas com os conteúdos em linguagem acessível e com termos da compreensão da comunidade. O uso de figuras e esquemas é recomendável para facilitar o entendimento dos participantes - 210 As mudas utilizadas devem ser obtidas em horto. No projeto foram utilizadas cerca de 25 das espécies, principais encontradas na comunidade, totalizando inicialmente cerca de 250 plantas - 250

Valor estimado para a implementação da tecnologia

R$ 57.000,00

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Movimento dos Sem Terra - MST -
Comissão da Pastoral da Terra - CPT -
Cooperativa CEDRO -
Assentamento Tipity -
ESCOLA MUNICIPAL FRANCISCO FARIA BARBOSA -
NPGA/CEFETCampos – Núcleo de Pesquisa em Gestão Ambiental -
Prefeitura Municipal de São João da Barra-RJ -
Prefeitura Municipal de Campos dos Goytacazes-RJ -
Petrobras -
Impacto Ambiental

No que diz respeito aos impactos ambientais positivos, destaca-se a valorização da preservação da flora nativa e a preocupação com desmatamento e práticas poluidoras abordadas no conteúdo do curso.

Forma de Acompanhamento

O acompanhamento foi realizado pelos coordenadores que visitaram sistematicamente a área da horta e os cursos ministrados. A avaliação foi feita a partir de entrevistas e questionários aos beneficiados do projeto, visando identificar pontos a ser aperfeiçoados. Foram realizadas consultas e visitas informais aos participantes do projeto, onde foram obtidas informações sobre a qualidade dos conhecimentos ministrados e a implantação das hortas nas residências.

Forma de Transferência

1-Reunião com a comunidade alvo do projeto, mostrando os benefícios do mesmo. 2-Pesquisa socioeconômica: , além da relação das enfermidades mais comuns na comunidade são importantes para o sucesso do projeto. Pesquisa etnofarmacológica para levantar as principais plantas utilizadas pela comunidade, que serão prioritariamente utilizadas no projeto. 3-Parcerias com empresas públicas e privadas para cobrir os custos da implantação e condução da tecnologia. 4-Montagem da horta e casa de vegetação como modelo. As plantas e mudas produzidas deverão seguir padrões agronômicos, de forma a serem reproduzidas na comunidade. 5-O acompanhamento do projeto deve ser contínuo, de forma a permitir correção de possíveis falhas. 6-Aplicação de questionários e conversas com participantes do projeto.

Anexos da tecnologia
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Depoimento Livre

O Projeto é simples, mas de grande amplitude, pois objetiva o resgate do uso de plantas medicinais em comunidades, para tratamento de enfermidades simples, substituindo medicações comerciais que muitas comunidades têm dificuldades de adquirir. Numa segunda fase da tecnologia, trabalhou-se com a geração de renda: oram ministradas oficinas de artesanato com cestaria de jornal, sabonetes, sachês, velas, enfeites, todos com a temática das plantas medicinais.