Inoculação do Feijão-Caupi com Rizóbio

certificada 2007

Instituição
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (CPAF RONDONIA)
Endereço
BR 364, km 5,5 - Caixa Postal 127 - Lagoa - Porto Velho/RO
E-mail
sac@cpafro.embrapa.br
Telefone
(69) 3901-2504
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Gustavo Ribeiro Xavier(21) 3441-1609gustavo.xavier@embrapa.br
Resumo da Tecnologia

A cultura de feijão-caupi, geralmente de subsistência, é praticada em pequenas unidades produtivas como principal fonte de proteínas para famílias de agricultores do semiárido nordestino, sem aplicação de insumos agrícolas e com baixo nível tecnológico. Essa forma de cultivo aumenta a produtividade.*{ods2},{ods3}*

Tema Principal

Alimentação

Problema Solucionado

O cultivo de feijão caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp), principal fonte de proteína para famílias de agricultores nas áreas rurais do semiárido nordestino, é realizado em pequenas propriedades com escassos recursos tecnológicos. Este aspecto, combinado com irregularidade de chuvas e solos pouco férteis, resulta em baixa produtividade, quando não perdas totais nos cultivos desse grão. Em consequência, é reduzida a oferta de grãos proteicos, em especial nos períodos de estiagem, o que piora os padrões nutricionais da população de baixa renda – seu maior consumidor. Apesar da baixa produtividade nacional (400 quilos por hectare), os níveis de fixação de nitrogênio alcançados por bactérias nativas do solo estão abaixo do potencial da cultura. A estimativa da contribuição da Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) em feijão-caupi está na ordem de US$ 13 milhões, somente para a região Nordeste brasileira. No entanto, o uso de práticas de baixo impacto, como a aplicação biotecnológica através da inoculação de estirpes, não têm sido realizadas e são desconhecidas das comunidades agrícolas.

Objetivo Geral

Fortalecer a agricultura familiar de base ecológica disponibilizando tecnologia de inoculação de feijão-caupi a grupos de agricultores familiares de áreas de sequeiro do Nordeste brasileiro.

Objetivo Específico

A incorporação de práticas que visam a maximização da fixação biológica de nitrogênio (FBN) é capaz de contribuir para o aumento da produtividade da cultura independente da aplicação de insumos químicos. Os resultados positivos advindos da prática da inoculação são um forte aliado na motivação do agricultor, levando-o a buscar outras práticas agrícolas de modo a melhorar cada vez mais a sustentabilidade da produção agrícola regional.

Solução Adotada

Uma pesquisa iniciada em 1998 na Embrapa Agrobiologia, em conjunto com a Embrapa Semi-Árido, identificou, dentre cerca de 600 bactérias de solos de regiões produtoras de feijão-caupi no Nordeste, uma estirpe (BR3267) capaz de aumentar a produtividade da cultura em até 40% em área de sequeiro e nas condições dos agricultores da região semiárida de Pernambuco. A resposta significativa à inoculação é um resultado direto da baixa população rizobiana que se encontra no solo na época da semeadura, que corresponde ao início do período das chuvas. Na tentativa de disponibilizar esta tecnologia para o agricultor, desde 2002 pesquisadores das duas instituições têm implantado Unidades de Observação em áreas de pequenos agricultores de base familiar na comunidade de Volta do Riacho (PE), localizada a cerca de 80 km de Petrolina (PE), e onde as propriedades possuem em média 1,5 hectare (ha) e o sistema de cultivo é composto basicamente de milho, mandioca, sorgo forrageiro, melancia, feijão guandu e feijão-caupi. A maximização da atividade da fixação biológica de nitrogênio no feijão-caupi gerou um aumento na produção, melhorando a qualidade da dieta pelo aumento da ingestão de proteínas, assim como a melhoria da renda pela venda do excedente de produção. Os resultados dos testes em áreas experimentais e, sobretudo, em áreas de agricultores permitiram, em 2004, através da RELARE (Rede de Laboratórios para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologia de Inoculantes Microbianos de Interesse Agrícola) que a estirpe BR 3267 fosse recomendada em caráter provisório. Diante da procura pelo setor produtivo e consumidor, e de novos testes em outros 15 locais através de uma Rede de Pesquisa com sete instituições de pesquisa e ensino (Embrapa Agrobiologia, Embrapa Semiárido, Embrapa Meio-Norte, Universidade Estadual da Paraíba, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Universidade Estadual da Bahia e Embrapa Roraima), 2 anos seguintes a RELARE reconheceu a estirpe BR3267 (SEMIA 6462) para uso em feijão-caupi, e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), através da Secretaria de Defesa Agropecuária, instrução normativa nº 10, de 21 de março de 2006, passou a incluir essa estirpe na relação dos microorganismos autorizados para produção de inoculantes para feijão-caupi no Brasil. Com a adoção da tecnologia, constatou-se também uma melhoria das condições do solo pelo aumento da incorporação de massa verde oriunda da maior produção, consequência da tecnologia de inoculação. Além da comunidade de Volta do Riacho, os pesquisadores que executam o projeto pretendem intensificar parcerias com organizações não governamentais como o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA)para realização de testes de validação da técnica em meio real com a participação dos agricultores. A dimensão social e econômica dessa cultura é muito expressiva, e uma tecnologia que resulte no aumento da sua produção e, mais que isso, torne mais estável as possibilidades de colheitas diante das adversidades climáticas, poderá ter repercussões na melhoria da qualidade de vida no sertão nordestino, onde o período de estiagem se estende por grande parte do ano. A tecnologia vem sendo reaplicada em outras comunidades, pela Embrapa, nos municípios de Cachoeira de Macacu (RJ), Volta do Riacho (PE), Alto Alegre (RR), demostrando os benefícios econômicos (aumento da produtividade e renda), sociais (aumento da oferta e qualidade de grãos), ambientais e ecológicos (tecnologia natural que não acarreta aumento do teor de nitrato no lençol freático e usa bactérias não patogênicas). Além disso, secretarias de agricultura (pelo menos 2) e pedidos para áreas de grandes agricultores (pelo menos 3) também foram realizadas junto à Embrapa, seja através de pedidos internos ou dos veículos de transferência da tecnologia (dia de campo, unidade de observação, cursos técnicos, release).

Resultado Alcançado

Aumento da produtividade do feijão-caupi em 40%; Aumento da oferta de grãos feijão-caupi; Aumento da renda do agricultor com a comercialização dos grãos; Capacitação de 100 agricultores e 30 pesquisadores, técnicos e estudantes; Elaboração de release (2); Elaboração de folder (2); Elaboração de artigo de divulgação na mídia (2); Elaboração de capítulo de livro (1); Elaboração de anais em congresso (3); Elaboração de resumo em congresso (15); Dissertação de mestrado (3); Tese de doutorado (1); Cursos (3); Palestras (5); Elaboração de artigo científico (3); Realização de Unidades de Observação (5); Realização de dia de campo (5);

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Seropédica / Rio de Janeiro01/2007
Missão Velha / Ceará01/2007
Japeri / Rio de Janeiro01/2007
Cachoeiras de Macacu / Rio de Janeiro01/2007
Juazeiro / Bahia01/2007
Bom Jesus / Piauí01/2007
Monte Alegre do Piauí / Piauí01/2007
Zé Doca / Maranhão01/2007
Alto Alegre / Roraima01/2007
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Agricultores Familiares
Quantidade: 0
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
a quantidade de pessoas desejável em uma lavoura0
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Inoculante contendo as bactérias selecionadas, com quantidade suficiente para plantio em 1 ha de área.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Entre R$ 5 mil a R$ 10 mil, dependendo da região

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Embrapa Semiárido -
Embrapa Roraima -
Embrapa Meio-Norte -
UNEB -