Lago de Múltiplo Uso

vencedora 2005

Instituição
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa Milho e Sorgo
Endereço
Rodovia MG424 - Km 65 - Sete Lagoas (MG) - Belo Horizonte/MG
E-mail
cnpms@cnpms.embrapa.br
Telefone
(31) 3027-1207
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Luciano Cordoval de Barros(31) 3027-1207luciano.cordoval@embrapa.br
Resumo da Tecnologia

A tecnologia social consiste em revestir o lago com lona de plástico comum, coberta com uma camada de solo de 25 a 30 cm de espessura para fixá-la no fundo, protegê-la contra peixes, animais e raios solares. Tecnologia de baixo custo (R$3 a R$5 por m3 de água armazenada).*{ods2},{ods3},{ods6}*

Tema Principal

Recursos Hídricos

Tema Secundário

Alimentação

Problema Solucionado

Com o Plano de Águas da Embrapa Milho e Sorgo, na década de 80, surgiram conflitos sobre a disponibilidade de água para uso simultâneo de irrigação nas diversas áreas de pesquisa da Embrapa Milho e Sorgo, sediada em Sete Lagoas. A água, embora abundante, encontrava-se nos córregos marginais, distante dos pontos de consumo. Houve necessidade de se colocar água próxima às lavouras irrigadas, construindo diversos reservatórios estabilizadores do sistema. Como os solos desses locais são geralmente porosos e altos, foi necessário criar técnicas de impermeabilização que assegurassem o sucesso do plano de águas.

Objetivo Geral

Armazenar eficientemente água de boa qualidade para uso humano, animal, piscicultura, irrigação, bem como adequar sistemas de tratamento de água degradada de suinoculturas, frigoríficos, esgotos urbanos, para proteção ambiental (mananciais e rios).

Objetivo Específico

• Os lagos de múltiplo uso permitem colher e armazenar água de chuva dos telhados das casas, dos galpões e estábulos, para abastecimento de bebedouros em fazendas e outros. • Na zona urbana permitem armazenar água colhida dos telhados de supermercados, shoppings, para usos diversos, inclusive amenizando enchentes urbanas. • Estabilizar sistemas de abastecimento de água em assentamentos da reforma agrária. Nas hortas comunitárias, urbanas e rurais, os lagos exercem a mesma função de estabilizar o sistema irrigado. • Viabilizar pisciculturas comerciais e na agricultura familiar, em solos porosos. • Racionalizar sistemas de irrigação – Se houver reservatórios de água próximo ou ao lado das áreas cultivadas sob irrigação, podem ser usados pequenos motores e menores investimentos em equipamentos. • Gerar renda – Os produtos das hortas, das pisciculturas, dos grandes cultivos irrigados, conseguiram economizar energia, o que contribui para a melhoria da renda.

Solução Adotada

Para solucionar problemas de água da Embrapa Milho e Sorgo, foi criado em 1987 o plano de águas que consistiu na implantação de 32 lagos dispersos, próximos das áreas de cultivo, construídos até 1995. O sistema foi composto por lagos mestres instalados nas partes mais altas, que distribuíam as águas por meio de bombeamentos para dois ou três lagos menores, denominados filhotes, l situados em regiões próximas aos campos experimentais. O sistema proporcionou uma economia de energia elétrica e diesel (por ser possível utilizar sistema irrigado de média e baixa pressão), diminuiu a quantidade e diâmetro dos canos utilizados, devido à proximidade da água dos campos e atendeu a necessidade da pesquisa, com maior disponibilidade de água (mesmo não irrigando à noite, o sistema permitia o reabastecimentos dos lagos), dando estabilidade ao sistema. Como os solos dos locais de construção da maioria dos lagos são porosos, foi necessário técnicas adequadas de impermeabilização que assegurassem o sucesso do Plano de Águas. Durante três anos foram construídos 12 lagos revestidos com barro de cerâmica na espessura de 30 cm, o que resultou em eficiência, mas gerando altos custos. Visando reduzir custos, em 1990 experimentou-se revestir os lagos com lona de plástico comum, recoberta com uma camada de terra de 25 cm, para proteção contra raios solares, peixes e animais. Nos primeiros cinco anos essa tecnologia evoluiu e ganhou eficiência, os custos diminuíram em torno de 75%, além de utilizar uma matéria-prima de baixo custo e disponível universalmente. Dez outros lagos foram construídos entre 1993 e 1995. Em 1996 começa sua difusão, via palestras, dias de campo, treinamentos e veiculação no programa Globo Rural, jornais, seminários e congressos nacionais e internacionais. A partir daí, inicia-se sua adoção fora da Embrapa, como solução para vários problemas como: adequação estrutural e ambiental dos novos empreendimentos na suinocultura e frigoríficos, e adequação dos já instalados. • Nas suinoculturas – nas modernas granjas de suínos, instaladas em platôs, escoa-se o chorume por gravidade para o sistema de lagos impermeabilizados dispersos na propriedade. Após a estabilização natural, os dejetos são aplicados às lavouras, via irrigação, antes do plantio, na proporção de um lago para cada 50 ha de plantio, integrando lavoura e agricultura, substituindo adubos químicos e adquirindo status nobre. Este projeto está em operação na fazenda Junco, em Papagaios – MG. • Frigoríficos – Nos frigoríficos Chaparral em Divinópolis e abatedouro do Adão, em Sete Lagoas, três lagos impermeabilizados com lona de plástico comum vêm sendo utilizados; como tratamento, sistema de estabilização natural via bactérias anaeróbias, no primeiro lago; aeróbias no segundo, e sedimentação natural,no terceiro. Dessa forma, protege-se o lençol freático e cada sistema interrompe a descarga de 8 mil m3 de dejetos nos córregos Jequitibá e Itapecerica, afluentes dos rios das Velhas e Pará. • Nos últimos três anos vem ocorrendo a integração das TS Barraginhas e a TS Lago de Múltiplo Uso, que vem garantindo a sustentabilidade hídrica para os agricultores familiares, viabilizando criatórios de peixes e irrigação de hortas nas comunidades de três municípios: Araçaí, Cordisburgo e Santana de Pirapama, em Minas Gerais. Em um solo seco de Cerrado, com predominância de latossolo vermelho poroso e profundo, após reuniões mobilizadoras com a comunidade e apresentação da proposta, foram construídas 186 barraginhas coletoras de enxurradas, que infiltram e carregam o lençol freático. Foi observado aumento do nível das cisternas de 4 para 10 a 11 metros de coluna de água, gerando nos agricultores um sentimento de abundância. Isso viabilizou a construção de minilagos impermeabilizados com lona de plástico comum para armazenamento de água, abastecidos por bombeamento das cisternas, o que viabilizou a criação de peixes e irrigação de hortas.

Resultado Alcançado

Nos últimos 15 anos foram ministradas aproximadamente 300 palestras para transferência dessa tecnologia e realizados 73 treinamentos sobre a construção do Lago de Múltiplo Uso em Universidades, Colégios, Congressos, Seminários em cidades do interior, Comunidades, eventos sobre água, feiras de ciências, do produtor rural e outras. Alguns resultados na disseminação da TS: • Na irrigação: a horta comunitária de Sete Lagoas-MG foi a primeira ação concreta dessa TS, em 1998, uma parceria entre Prefeitura, Emater e Embrapa Milho e Sorgo; é uma horta linear de 3 km e foi implantada em uma avenida reta, ondulada. No topo de cada ondulação foram construídos lagos lonados, no total de três, estabilizadores do sistema, recebendo água de poço artesiano do bairro. Daí a água é transferida por gravidade às caixas, uma para cada duas hortas e, via regador, é aplicada aos canteiros. As hortas de 30 x 15 metros por família, beneficiam 200 famílias de aposentados que complementam a renda da aposentadoria e melhoram a sua alimentação. • No tratamento de dejetos de frigoríficos, em Divinópolis-MG, foi implantada, em 2001, uma estação de tratamento de dejetos. Uma estação idêntica foi implantada num abatedouro em Sete Lagoas-MG, em 2004; ambos deixaram de descarregar 16 mil m3 de dejetos/ano no lençol freático e nos rios das Velhas e Pará. • Nas suinoculturas: em Papagaios-MG, desde 1999 uma suinocultura conta com três lagos dispersos, interligados com tubo de PVC, de baixo custo e abastecidos por gravidade, que propiciam estabilização natural e são aplicados ao solo como adubo. • Nos últimos três anos vem ocorrendo a integração das TS Barraginhas e Lago de Múltiplo Uso, que vem garantindo a sustentabilidade hídrica para os agricultores familiares, viabilizando criatórios de peixes e irrigação de hortas nas comunidades de três municípios: Araçaí, Cordisburgo e Santana de Pirapama, em Minas Gerais. Em Araçaí foram construídas 186 barraginhas coletoras de enxurradas, que infiltram e carregam o lençol freático. Foi observado aumento do nível das cisternas de 4 para 10 a 11 metros de coluna de água. Isso viabilizou a construção de 25 minilagos impermeabilizados com lona de plástico comum para armazenamento de água, abastecido por bombeamento das cisternas, o que viabilizou a criação de peixes e irrigação de hortas, tornando-se um modelo para ser reaplicado em todas as regiões que possuem solos favoráveis a perfuração de cisternas e cacimbões. d) Recursos necessários para a im

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Sete Lagoas / Minas Gerais01/2005
Araçaí / Minas Gerais01/2005
Cordisburgo / Minas Gerais01/2005
Santana de Pirapama / Minas Gerais01/2005
Porteirinha / Minas Gerais01/2005
Minas Novas / Minas Gerais01/2005
Oeiras / Piauí01/2005
Brasília / Distrito Federal01/2005
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Coordenadores2
Membros da comunidade onde o lago será construído2
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Mobilização: (datashow completo, vídeos, apresentação Power Point ou apresentação tradicional. Treinamento prático: uma máquina pá carregadeira alugada, do município ou privada para as demonstrações. Construção: uma máquina para atuar entre 250 e 300 horas de trabalho.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Minilago por família , de 100.000 litros com 14 m de diâmetro: R$ 600,00 Ou um Lago comunitário de 600.000 litros, com 30 m de diâmetro: R$ 4.000,00 Ou uma unidade vitrine/comunidade integrando a TS Barraginhas e a TS Lago de Múltiplo Uso com 200 barraginhas e 25 minilagos: R$ 50.000,00

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Sindicatos de trabalhadores rurais -
Sindicatos patronais -
Prefeituras -
Emateres -
Cooperativas -
Associações Comunitárias -
ONGs e Fundações -
Forma de Acompanhamento

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Forma de Transferência

Fases A, B e C da mobilização da tecnologia. Em abril de 1997 teve início a fase A, chamada de primeiros contatos: constitui-se de reuniões, palestras ministrada pelo autor ou por multiplicadores treinados, parceiros, ou mesmo por “clones” apresentando a TS. A fase B pode ser uma visita técnica ou um dia de campo à horta comunitária, a um frigorífico, ao lago pioneiro da Embrapa, aos laguinhos da unidade vitrine nas comunidades, ou a uma suinocultura beneficiada. A fase C é o treinamento num local público, como um Colégio Agrícola, uma Universidade, num parque de exposições, durante feiras, semanas de produtores rurais e outras, ensinando a construir o lago para que caminhem com os próprios pés.

Endereços eletrônicos associados à tecnologia