Produção Agroecológica de Alimentos em Meio Urbano

certificada 2011

Instituição
Pólis Instituto de Estudos, Formação e Assessoria em Políticas Sociais
Endereço
Rua Araujo,124 - Vila Buarque - São Paulo/SP
E-mail
mariana@polis.org.br
Telefone
(11) 2174-6800
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Mariana Monferdini Romão(11) 9158-9550mariana@polis.org.br
Resumo da Tecnologia

Conjunto e associação de diferentes técnicas de plantio ecológico, aproveitando pequenos espaços e utilizando matérias-primas reaproveitadas para a instalação de técnicas sustentáveis que visam à integração de todo o ambiente, permitindo rápido acesso ao alimento saudável de baixo custo.*{ods2},{ods3}*

Tema Principal

Alimentação

Tema Secundário

Saúde

Problema Solucionado

Um dos principais problemas em comunidades com características de vulnerabilidade social é a insegurança alimentar em que se encontram as famílias, devido ao alto consumo de produtos industrializados e o baixo consumo de frutas, verduras e legumes. Tal fato está associado à baixa renda e à falta de acesso a alimentos saudáveis próximos da comunidade. A tecnologia possibilita a essas famílias a produção de parte de seu alimento, livre de agrotóxicos, melhorando a qualidade de sua alimentação a custo mínimo e favorecendo a descompressão de suas rendas. Outro problema enfrentado no meio urbano periférico é a presença de espaços ociosos e subutilizados, o que piora a qualidade de vida, já que esses lugares são, muitas vezes, usados como depósitos de lixos e entulhos. Assim, a TS também atua na revitalização desses espaços ociosos, aumentando as áreas verdes, embelezando o local, trazendo vida social, saúde alimentar e ambiental.

Objetivo Geral

A tecnologia tem como objetivo estimular a prática de técnicas de plantio e manejo agroecológicos e técnicas de bioconstrução em pequenos espaços urbanos para a promoção da segurança alimentar e nutricional das comunidades de baixa renda.

Objetivo Específico

-Incentivar a troca de saberes populares sobre produção de alimento e plantas medicinais; -Produzir alimentos livres de insumos químicos e agrotóxicos; -Aproveitar os resíduos orgânicos para o preparo do adubo, utilizado no plantio; -Reutilizar recipientes antes descartados como lixo, por exemplo: telhas, pneus, caixinhas de leite, canos de PVC e caixotes de madeira, para realizar o plantio; -Reaproveitar mangueiras e canudinhos plásticos para instalar um sistema de irrigação de baixo custo e pouco consumo de água; -Instalar um sistema de captação de água de chuva para diminuir o consumo de água tratada; -Revitalizar espaços urbanos ociosos, normalmente subutilizados com o descarte de lixo; -Promover melhora nos hábitos alimentares por meio da reeducação alimentar; -Formar uma rede de atores em prol do fortalecimento da agricultura urbana; -Reaplicar a tecnologia em comunidades de vulnerabilidade social em centros urbanos.

Solução Adotada

O desenvolvimento e implantação da tecnologia iniciaram-se com um diagnóstico, em parceria com as lideranças comunitárias locais, para identificar a necessidade de promoção da segurança alimentar, a existência de espaços ociosos e o interesse das pessoas desta comunidade em realizar esse tipo de atividade. Foi designado um espaço público na comunidade, onde os envolvidos (pessoas da comunidade, técnicos do terceiro setor e do poder público municipal) pudessem se encontrar para desenvolver conjuntamente a tecnologia de Produção Agroecológica de Alimentos em Meio Urbano (PAAMU). A partir da criação deste grupo, foi possível a elaboração do projeto “Cidadania e Autonomia alimentar: uma experiência de Agricultura Urbana Integrada e Sustentável” (CIDAAU), que trouxe a materialização das ideias surgidas no grupo, a partir de seu financiamento pelo Fundo Especial do Meio Ambiente (FEMA). O projeto foi uma das experiências onde a Tecnologia PAAMU pôde ser implantada. Assim, a sistematização desta tecnologia é fruto da experiência do Instituto Pólis no projeto CIDAAU, ainda que ela esteja sendo aplicada em outros locais, por diferentes atores. O espaço encontrado para este trabalho tem a peculiaridade de ser um antigo lixão, e a comunidade que se formou no seu entorno por muitos anos se beneficiou dos materiais que retiravam desse, posteriormente transformado num parque público. Diante dessa condição de solo contaminado, a solução encontrada foi de realizar o plantio de maneira suspensa, utilizando canaletas com 9m de comprimento por 80cm de largura. Seu preenchimento foi feito com uma camada de brita no fundo para favorecer a drenagem, e o restante preenchido com terra, vinda de cortes de empreendimentos imobiliários urbanos e enriquecida com adubo orgânico. Os canteiros foram pintados com tinta natural, feita com terra de barranco retirada no local. O plantio nos canteiros suspensos das plantas companheiras com adubo orgânico e a forração do solo com palhas recolhidas no próprio local foram realizados dentro dos princípios da agroecologia. Para enriquecer ainda mais o solo e proteger as plantas das possíveis pragas, foram implantadas técnicas distintas: compostagem (decomposição de matéria orgânica, transformando-se em adubo), minhocário (matéria orgânica em decomposição acelerada pelo trabalho das minhocas produzindo o húmus), chorumada (biofertilizante produzido a partir de elementos – folhas, flores, pedras – colhidos no local) e adubação verde. Para a rega da horta, pensou-se na economia de recursos e de água, implantando a técnica de captação de água da chuva e a irrigação por micro-aspersão, reutilizando mangueiras e canudinhos plásticos. Para a produção das mudas no próprio local, foi construída uma estufa com bambu, sob os princípios da bioconstrução. A tecnologia prevê o forte envolvimento dos participantes. No projeto CIDAAU, foram envolvidos na implantação de todo o sistema. Para a aplicação das técnicas e reflexão sobre os temas propostos, são realizados encontros semanais, onde juntos, os envolvidos criam e experimentam formas de realizar esta produção para que posteriormente possam reaplicar em suas casas e em outros espaços de atuação. A cada semana, é trabalhado um tema específico da produção agroecológica, tanto sob os aspectos teóricos, através de dinâmicas, leituras, palestras e do resgate do saber popular, quanto sob os aspectos práticos, efetivando a implantação das técnicas propostas. É incluso na aplicação da tecnologia um trabalho de reeducação alimentar, que acontece por meio da preparação de lanches saudáveis durante os encontros, estimulando pelo paladar a transformação dos hábitos alimentares. Para a reaplicação da tecnologia, é realizado um mapeamento na região levantando os locais possíveis de realizar o plantio com as técnicas deste sistema, bom como os locais que produzem alimentos e trabalham com agroecologia. Isso visa a formação de uma rede de troca de saberes e possibilidades.

Resultado Alcançado

1. Aproximadamente 30 famílias beneficiadas pela tecnologia, por ter sido proporcionado: -Melhora nos hábitos alimentares; -Aumento do consumo de frutas, legumes e verduras; -Autonomia em relação à produção de alimento para consumo próprio; -Maior relação com a terra e com o meio como um todo; -Construção de conhecimento a respeito de plantas espontâneas e sua utilização medicinal e culinária; -Transformação gradativa dos hábitos de consumo; -Consciência sobre a importância de separar o lixo domiciliar; -Descompressão da renda; 2. Re-socialização de pessoas da comunidade, antes isoladas pela auto-estima fragilizada. 3. Revitalização de um espaço público urbano, com o engajamento da comunidade para o esforço conjunto na conquista e revitalização do mesmo. 4. Diminuição do consumo de água tratada neste espaço público.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
São Paulo / São PauloButantã - Jd. Jaqueline01/2011
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Lideranças Comunitárias
Quantidade: 30
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Educadora Popular com conhecimentos em Segurança Alimentar e Nutricional e educação alimentar, responsável pela coordenação do projeto.1
Engenheira Agrônoma com ênfase em agroecologia e conhecimentos de Educação Popular, responsável pela formação do grupo e implantação da horta comunitária.1
Mão de obra para construir os canteiros e implantar a captação de água da chuva.1
Participantes que fazem a implantação e manutenção da tecnologia social.1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

-Alicate de poda aço inox oito polegadas; -Bandejas de isopor 128 células; -Carrinho de mão com braço bipartido com caçamba de metal; -Lona plástica preta 3X3m (conservar insumos); -Enxada estreita c/ cabo de madeira; -Facão de aço carbono c/ cavo de madeira - 26 polegadas; -Forcado reto p/ silagem 4 dentes c/ cabo de madeira 130cm; -Luvas de raspa (par); -Pá de bico c/ cabo 71cm 320x270mm; -Pá transplantadora; -Plaquinhas de identificação de canteiros; -Pincel de pintura duas polegadas; -Pulverizador manual 1,25L (aplicar defensivos naturais); -Sacho duas pontas cabo curto; -Mudas de hortaliças diversas; -Semente de adubação verde; -Sementes de hortaliças agroecológicas - 40g de 25 variedades diferentes; -Terra; -Bambu; -Material de papelaria; -Canaletas; -Blocos de cimento ou outro material alternativo; -Caixa d'agua; -Calhas para telhado; -Tambores plásticos; -Mangueira reutilizada; -Canudinhos de pirulitos ou cotonetes reutilizados.

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Material papelaria: R$ 748,51 Material captação e armazenamento de água de chuva: R$ 3.085,00 Estufa com estrutura de bambu: R$ 4.468,00 Sistema de irrigação com materiais reaproveitado: R$ 2.424,00 Transporte visita técnica: R$ 1000,00 Data Show: R$ 2.500,00 Canaletas (podem ser doadas): R$ 702,00 Insumos: R$ 875,36 Ferramentas R$ 791,12 Materiais construção R$ 838,00 Total R$ 17.431,99

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
SVMA Núcleo de Gestão Descentralizada CO1 -PROAURP SP -Parque Raposo Tavares -PAVSAMAR Arquitetura, Meio Ambiente e Restauração ambiental -ITCP-USP Incubadora tecnológica de cooperativas populares
Impacto Ambiental

-Diminuição do volume de resíduos orgânicos e de materiais reaproveitados descartados em lixões, pelo seu aproveitamento na horta agroecológica; -Aumento da área permeável e do micro clima na região pelo aumento de espécies de plantas; -Redução do consumo de água tratada pela implantação do sistema de captação de água de chuva; -Recuperação e conservação do solo através da implementação da horta agroecológica; -Diminuição no uso de materiais de construção que degradam o meio.

Forma de Acompanhamento

Foram feitos registros audiovisuais de depoimentos dos envolvidos a respeito das mudanças atingidas após a participação no projeto.

Forma de Transferência

O intuito é que a tecnologia possa ser reaplicada pelas próprias pessoas que entrarem em contato com este processo, a exemplo dos participantes do projeto CIDAAU que, após um período de formação, deverão reaplicar os conhecimentos em seus locais de atuação. No âmbito do projeto, foi realizado um acordo com o Programa de Ambientes Verdes e Saudáveis, que atua junto aos Agentes Comunitários de Saúde das Unidades Básicas de Saúde (UBS) para que esses agentes participem deste trabalho, com o objetivo de reproduzir as técnicas na própria UBS e em outros locais de suas comunidades. Foi elaborado boletim informativo e divulgado nas redes sociais. Para difundir as ideias desta tecnologia, existem diversas cartilhas de agroecologia, agricultura urbana, bioconstrução e alimentação saudável.

Endereços eletrônicos associados à tecnologiaDepoimento Livre

Destacamos a participação do grupo de usuários do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) - Butantã no Projeto CIDAAU. A subjetividade do trabalho com a terra permitiu aos participantes usuários do CAPS a socialização num espaço onde suas percepções, às vezes banalizadas pela comunidade em geral, despertavam o restante do grupo para um novo olhar sobre o trabalho realizado. Dessa forma, acrescentaram para os conhecimentos do grupo e interagiram de forma mais livre com a comunidade em que estão inseridos Vera – Assistente Social do CAPS - Butantã. “Este curso veio de encontro com o nosso interesse em desenvolver um projeto de geração de renda, por meio da Agricultura Urbana orgânica, com os usuários do CAPS...os usuários estão gostando muito...aprendemos muito".