Rede de Mulheres para Comercialização Solidária

vencedora 2009

Instituição
Casa da Mulher do Nordeste
Endereço
Rua Alberto Paiva, 162 - Graças - Recife/PE
E-mail
celia@casadamulherdonordeste.org.br
Telefone
(87) 3838-2482
Responsáveis pela tecnologia
NomeTelefoneE-mailRedes Sociais
Francineide de Melo Menezes(87) 9113-4998francmello@hotmail.com
Maria Marli de Almeida Romão(87) 9606-3945marlicmnordeste@gmail.com
Resumo da Tecnologia

A Rede de Mulheres é uma Tecnologia Social que articula mulheres rurais do semiárido brasileiro. É um espaço de troca de conhecimentos e comercialização dos produtos com solidariedade e sustentabilidade ambiental.*{ods1},{ods2},{ods3},{ods8},{ods10}*

Tema Principal

Renda

Tema Secundário

Alimentação

Problema Solucionado

Em 2003, o Diagnóstico da Situação das Relações de Gênero na Agricultura Familiar, realizado pela Casa da Mulher do Nordeste, comprovou exclusão e desigualdade vividas pelas mulheres do Sertão do Pajeú no acesso à renda, crédito e assessoria técnica com vista à potencialização da sua produção e comercialização de seus produtos. Numa amostra de 790 mulheres, 703 nunca haviam acessado nenhum tipo de crédito. Os principais problemas: a) falta de acesso a canais de comercialização devido ao isolamento dos grupos produtivos e o difícil acesso às comunidades rurais; b) pouca autonomia das mulheres nos processos de comercialização, oriunda da matriz patriarcal da divisão social do trabalho na agricultura de base familiar, fator que influencia diretamente na exclusão das mulheres e na sua invisibilidade enquanto produtoras e comercializadoras de sua produção; c) falta de formação no campo da gestão e o alto custo de comercialização de forma isolada, bem como a ausência de espaços de comercialização que viabilizassem a venda de seus produtos; d)no processo de formação foi identificada a exclusão das mulheres no modelo de desenvolvimento com bases numa economia capitalista.

Objetivo Geral

Fomentar processos de comercialização solidária em rede, na perspectiva da inserção das mulheres em mercados justos e solidários para conquista de seus direitos econômicos e geração de renda.

Objetivo Específico

1.Quebrar o isolamento dos grupos de mulheres através de articulação em rede, para troca de experiências; 2.Articular canais de comercialização para inserção das mulheres e venda de produtos; 3.Aumentar a renda das mulheres através da inserção em mercados justos e solidários; 4.Promover protagonismo e autonomia das mulheres nos processos de comercialização.

Solução Adotada

Solucionar os problemas apontados no diagnóstico desencadeou um processo envolvendo as mulheres na análise e leitura de sua realidade, além da construção de estratégias para superação das desigualdades. 1) Após análise dos dados, foi organizado um seminário com 50 mulheres para traçar estratégias para assessoria técnica emancipadora. O resultado foi um plano estratégico para 5 anos contendo os principais problemas e as ações a ser implementadas na área de assessoria técnica, acesso a microfinanças, a mercados e melhoria da produção. A partir do planejamento iniciou-se um processo de articulação entre os grupos, os movimentos sociais e a Assessoria técnica do Conselho Monetário Nacional (CMN). Foram realizadas visitas aos grupos para construção de um planejamento e identificar os problemas De posse desse planejamento, grupos de mulheres e assessoria técnica vão em busca de financiamento para organização da produção e inserção em canais de comercialização locais. 2) Em 2005, através do Fórum de Economia Popular Solidária (FEPS), cria-se um elo pelo qual foi realizado o I Festival de Economia Popular e Solidária do Elo-Pajeú. Os grupos se fortalecem e fazem intercâmbio de experiências. 3) Uma oficina temática do Festival foi fundamental: a oficina Mulheres, Agroecologia e Economia Solidária com a participação de 50 mulheres expositoras; assim surge a Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú. 4) Com o apoio da Intermon-OXFAM; as mulheres organizam seus produtos . Peças de retalho, crochê, bordados, artesanato em palha, licores, doces, geleias, mel, saem dos armários de suas casas para as prateleiras de uma pequena loja alugada. A loja funcionava num regime de revezamento solidário para venda de artesanato e lanches, em Afogados da Ingazeira até abril de 2009. Hoje funciona em Triunfo, cidade turística do estado, onde está sendo organizado um albergue solidário para autossustentação da Rede. 5) A partir de 2006 a Rede organiza seminários semestrais com 30 grupos de mulheres de 10 municípios. Os encontros são espaço de formação continuada e monitoramento da Rede e suas estratégias de fortalecimento dos grupos produtivos e da comercialização. São realizados exposições dos produtos e troca de saberes. Umas ensinam às outras técnicas a melhorar a qualidade e agregar valor aos produtos. 6) Com apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário, a CMN passa a fazer assessoria técnica aos grupos, que participam da Feira Internacional de Artesanato (FENEART), Feiras Estaduais de Economia Solidária, Feiras Feministas, Feira Nacional da Agricultura Familiar. Assim as mulheres se apropriam da relação direta com os consumidores, livrando-se do atravessador, e se capacitam em gestão, comercialização, organizam seus regimentos internos e se empoderam da questão econômica e dos recursos da sua produção, são visibilizadas como produtoras e sua renda é valorizada no contexto da renda familiar. 7) Em 2007, com apoio do Banco do Nordeste, a Rede participa do projeto de criação de fundos rotativos solidários. Cinco grupos da Rede acessam R$ 5.000,00 para capital de giro e compra de equipamentos. No ano seguinte, a Rede recebe apoio da FASE no valor de R$ 2.000,00. Hoje o fundo rotativo tem um montante de R$ 8.000,00 e é monitorado por um comitê gestor. Esse é o único recurso para movimentar o processo de economia solidária e gerar renda para mais de 450 mulheres. 8) Em 2006, a CMN realiza o segundo diagnóstico da situação das Mulheres Agricultoras de Base Familiar no Sertão do Pajeú, para identificar o potencial do artesanato como pilar econômico da agricultura familiar. O diagnóstico também mapeou um calendário de eventos populares e culturais na região para comercialização. Hoje, a Rede organiza tenda de comercialização em mais de 50% das feiras e eventos da região.

Resultado Alcançado

40 grupos de mulheres agricultoras e artesãs, 450 mulheres articuladas em rede de comercialização solidária; Aumento de 100% da renda declarada pelas mulheres em 2003; Inserção de 20 grupos, aproximadamente 200 mulheres, comercializando seus produtos através das feiras agroecológicas, eventos e na loja da Rede; Melhoria da qualidade dos produtos, facilitando sua inserção nos canais de comercialização; Transição da produção agrícola convencional para sistemas agroecológicos; Acesso das mulheres às tecnologias de produção renováveis para incremento da produção; Visibilidade como produtoras e geradoras de renda, e valorização do trabalho reprodutivo das mulheres; Aumento da autoestima e reconhecimento da produção das mulheres pelas suas famílias e órgãos de assessoria técnica; Acesso pelas mulheres às políticas públicas de ATER; Constituição do Fundo Rotativo Solidário; 200 mulheres capacitadas em gestão e organização da produção; Inovação e diversificação dos produtos, proporcionando maior oferta aos consumidores; Legalização da Rede como associação em busca da autonomia; Reaplicação do processo da Rede em outros estados do Nordeste, fomentando a formação de outras redes solidárias de mulheres: Rede de Mulheres Produtoras da Bahia, Rede de Mulheres Produtoras da Paraíba, Rede Xique-xique no Rio Grande do Norte.

Locais onde a Tecnologia Social já foi implementada
Cidade/UFBairroData da implementação
Afogados da Ingazeira / Pernambuco06/2005
Flores / Pernambuco06/2005
Quixabá / Pernambuco06/2005
Santa Cruz da Baixa Verde / Pernambuco06/2005
Terezinha / Pernambuco06/2005
Solidão / Pernambuco06/2005
Tabira / Pernambuco06/2005
Triunfo / Pernambuco06/2005
Tuparetama / Pernambuco06/2005
Público-alvo da tecnologia
Público alvo
Mulheres
Agricultores Familiares
Profissionais necessários para implementação da tecnologia
ProfissionalQuantidade
Assessoria Técnica2
Capacitação em Gestão e Organização da Produção10
Capacitação para melhoria da produção artesanal e transição agroecológica10
Consultoria em Design1
Consultoria Jurídica - Advogado1
Recursos materiais necessários para implementação da tecnologia

Barracas para feiras agroecológicas- 10 Capital de Giro - Fundo Rotativo Solidário- 10 Insumos para produção agrícola- 20 Materiais para produção artesanal- 20

Valor estimado para a implementação da tecnologia

Valor total estimado: R$ 43.000,00 ( quarenta e três mil reais).

Instituições parceiras na tecnologia
Instituição parceiraAtuação na tecnologia social
Banco do Nordeste do Brasil -
CESE - Coordenadoria Ecumênica de Serviço -
FASE -
Intermón - Oxfam -
MDA - Projeto Dom Helder Câmara -
Forma de Acompanhamento

1) Visitas mensais aos grupos para assessorar na produção. 2) Acompanhamento mensal da gestão financeira da loja. 3) Relatórios e reuniões mensais para avaliar avanços e dificuldades e utilização dos instrumentos de gestão. 4) Encontros semestrais da Rede para avaliação do processo. 5) Reuniões trimestrais com o comitê gestor para avaliar o fundo e aprovar outros projetos; e da coordenação para avaliar a participação e gestão da Rede. Por fim, avaliação interna da Casa da Mulher do Nordeste.

Forma de Transferência

A Casa da Mulher do Nordeste dispõe de diagnóstico; vídeo "Articulando em Rede, Tecendo Solidariedade"; caderno de sistematização das experiências das mulheres em agroecologia e economia solidária "As mulheres Construindo a Agroecologia e a Economia Solidária"; cartilha "Como Montar seu Plano de Negócio"; materiais construídos com a troca de saberes de mais de 400 mulheres no cotidiano de uma vivência de 4 anos de construção da Rede de Mulheres Produtoras do Pajeú. Esses materiais estão disponíveis e podem ser solicitados por organizações que querem subsídios para experimentar trabalhar com mulheres no campo econômico, contribuindo com a desconstrução das desigualdades de gênero a partir do empoderamento econômico das mulheres.

Endereços eletrônicos associados à tecnologia